Amargura genética

Meu pai é a pessoa mais mal-humorada do planeta. Minha mãe é a pessoa mais estressante do mundo. O que poderia surgir disso aí? Eu. E isso é complicado.

Difícil pensar numa herança genética pior. E quanto mais eu fico chateada com a vida e com tudo que eles fazem comigo mais eu fico desesperada porque não quero parecer nem de longe no escuro com meu pai ou minha mãe. Meu Deos! Povo complicado.

fevereiro 8, 2009 at 1:03 am 2 comentários

O dia em que eu cansei

Hoje, finalmente, anuncio: cansei. Dos homens, dos bichos e dos seus hábitos irritantes. Pessoas, não coloquem fotos de biquini no orkut nem frases clichês revestidas de autoajuda ou sabedorias chinesa. Baratas, parem de entrar na casa dos outros, isso irrita, dá nojo e dá trabalho.

Prefeitura de BH, que rodoviária é essa? Ou detona a inhaca ou dá um jeito naquilo. Ninguem gosta de carregar mala pesada em escada. Será difícil concluir isso?

Mães, seus filhos já têm as próprias frustrações e não precisam que vocês descontem neles os seus problemas.

Tias, palpitem BEM menos.

Pais, finjam melhor.

Garotos, sejam menos patéticos. Preservem meu estômago.

Meninas, fazer tanta pose (de gostosa, de descolada, de moderninha) cansa.

Gays, não peguem mulher por fachada.

Chefes, hierarquia não serve para tudo.

Faxineiras, parem de esperar a patroa sair para pendurar no telefone.

Crianças, peçam menos.

Enxeridinhas, vão alfinetar sua mãe.

As coisas seriam muito mais fáceis se as pessoasm tivessem um pouquinho de senso crítico e soubessem o real lugar que elas ocupam no mundo e na vida dos outros. Tem que haver verdade entre as pessoas (e é preciso saber escutá-las) assim como limite. Se você não sabe até onde pode ir, por favor, não se mova, não vá.

São as pequenas coisas do dia-a-dia e as pequenas babaquices que fazem com que todas as atividades exijam mais do nosso esforço mental. E cansaço mental é foda. Não adianta deitar nem ver tevê e parar de trabalhar também não resolve.

Hoje eu não andei 500 metros, mas estou exausta porque eu cansei da dinâmica das coisas.

janeiro 18, 2009 at 5:03 pm 3 comentários

Top 10 coisas desnecessárias

Eis aqui o que eu gostaria que sumisse em 2009 para garantir maior qualidade de vida no próximo ano:

1- Pernilongos

2- Umidade com calor

3- Axé

4- Fuligem

5- Pessoas que puxam o saco de todo mundo

6- Crise econômica

7- Gente que me pergunta porque eu não como carne

8- Músicas clichês tocadas com violão em lugares públicos

9- Gente que diz que “tá na correria”

10- Invasão – em todos os sentidos

Feliz 2009!

dezembro 31, 2008 at 1:10 am 3 comentários

Direitos limitados, sim, querida!

Com essa onda de individualismo revestido de exercício de direitos do consumidor as pessoas – que sequer votaram no Délio Malheiros, aposto – perderam a noção. Refir0-me a homens e mulheres, mas a algumas mulheres em especial:  mães que ainda bancam duas jornadas para depois falar para todo mundo que já trabalham demais, cuidam de menino e não têm tempo para fazer mais nada.

Não tem tempo? Mande seu namorado/ marido/ parceiro/ namorada/ esposa/parceira te ajudar com alguma coisa em casa. Ou pague alguém para fazer faxina sempre que possível. Ou divida melhor as tarefas no seu trabalho. Ou organize melhor seu tempo.

O que não dá é para chegar “causando” em todo lugar só porque você acha que já faz coisa demais e cobrar que as pessoas façam o que elas não têm obrigação de fazer para aliviar sua barra. Quem tem que te dar uma mãozinha é mesmo seu parceiro ou sua parceira e ressalto que eles fazem isso se quiserem e por amor porque não é obrigação deles também não.  Quem sabe sua mãe, hein?

Digo isso porque estou cansada de mães que sobem nas paredes porque têm que dar um pontinho na roupa de apresentação de balé da filha ou que não tem tempo de ajudar o filho a fazer uma maquete. Então você não sabia que filho toma tempo? Você não sabia que o papel da professora de balé é o de ensinar dança e nada mais?

E digo que essas mães ainda têm sorte porque as pobres professoras de balé têm sido pedagogas, psicólogas, babás, mães e…ah! Professoras de balé, claro.

Então, querida, na próxima vez que você encher a boca para falar que não pode dar um minuto a mais do seu dia para dedicar ao seu filho pense no exemplo que você dá a ele, pense que você está pedindo a outra pessoa (que não é mãe do seu filho) para doar os minutos dela para dedicar ao SEU filho e, principalmente, que você está sendo grosseira e ridícula porque todo mundo já tem problemas reais e você não precisa inventar mais nenhum.

dezembro 23, 2008 at 10:49 pm 1 comentário

Voices in my head – parte 2

Eu tenho o azar de associar todas as músicas que eu conheço a pessoas. Não faço por querer, mas acontece. Dessa forma, vários artistas, coitados, caem na minha zona de desprezo simplesmente porque uma fulana de quem eu não gosto por acaso é fã daquilo. Ivete Sangalo que o diga! A quantidade de baranga que gosta de Ivete é um fenômeno. Não, não é que eu não goste das músicas da cantora só por causa disso. Ela canta axé e isso é suficiente para ela ir direto para minha zona de desprezo, independente de quem quer que seja gostar ou não.

Quando eu conheço alguém que gosta de um grupo e depois eu tomo antipatia da pessoa é pior ainda porque, às vezes, o som é bacana, mas, infelizmente, só de ouvir determinada frase eu me lembro do fulano mais inconveniente do mundo cantarolando aquilo feliz. Fazer o quê?

Como eu associo músicas a pessoas que eu conheço o tempo todo, bandas como Gun’s passam a me deixar desconfortável. Isso não é muito legal por um motivo muito simples: é muito fácil tocar isso na rua, no rádio, alguém cantar isso do seu lado ou vir à cabeça sem motivo aparente. E minha cabeça é uma rádio ambulante. Toca de Kelly Key a Vangelis sem o menor constrangimento.

Então o Axl Rose pode ser bonitinho, famoso, ter uma voz legal, compor umas coisas bacanas, usar enchimento no bumbum e tudo mais, mas a vizinha do andar de cima canta “Paradise City” na maior altura, durante a semana em horários inapropriados. Sorry, Axl, mas nada no mundo vai me fazer ouvir isso durante a noitada e ficar bem.

dezembro 10, 2008 at 1:39 am 2 comentários

A loira que mudou minha vida

Cheguei no ponto de ônibus, olhei para frente e lá estava a loira: calça justa, blusa com ombros à mostra, cabelo esticado e amarelo. Gesticulava e conversava com uma sósia dela na versão morena, risinhos e uma garrafa de qualquer coisa alcoólica nas mãos. Entre nomes de fulanos e goles na bebida se lembrava de olhar se o ônibus despontava no morro.

Quase de forma instantânea me veio uma sensação de tédio bem conhecida. Sim, as pessoas às vezes me inspiram o mais profundo e sincero tédio que, muitas vezes, resultam em preguiça de interagir e de estar ali. A velha impressão de que eu já vi aquilo em outras ocasiões e, sinceramente, não precisava ver de novo.

Julguei mal a menina. Ela me foi muito útil. A cena derrubou uma moedinha que já devia ter caído há muito tempo. Economizaria meu tempo e minha paciência. Sabe quem era aquela loira? A personificação de tudo que os homens querem para eles.

Uma menina com cara de quem não é muito difícil (e eles não querem gastar muita energia investindo em nada), com roupas que insinuam que ela quer mostrar as curvas (e isso muito interessa a eles), com algum liquido que está ali para tirar parte da consciência e do controle que ela tem sobre si mesma (ponto para a menina de novo) e conversando frivolidades. Mais para ter um motivo para jogar o cabelo de um lado para o outro e abrir um sorriso largo para qualquer coisa boba e sem graça do que para realmente interagir com a amiga dela. Isso é tudo que os homens querem: uma pessoa que não leva as palavras a sério, que não saiba argumentar. Assim, quem é que manda na relação? Quem é o fodão que está sempre com a última palavra? O mesmo babaca de sempre.

Os homens são, em sua maioria, uns frouxos que têm medo de mulher que tem atitude, personalidade forte e saibam um pouquinho mais do que eles sobre qualquer coisa que não seja bijuterias e culinária. A sociedade continua com a mesma cultura de sempre, paternalista, machista e “malandra”.E isso também me enche de tédio…

dezembro 6, 2008 at 12:21 am 4 comentários

Voices in my head

Houve idéias, sim, mas a falta de inspiração falou mais alto e o blog ficou sem atualização por um tempo absurdo. Acho que gastei o pouco de criatividade que restava redigindo matérias para o jornal ou coreografando por aí. Então o post vem num dia em que estou há algumas horas de tomar uma decisão importante que diz respeito à minha vida profissional, mas implica várias outras mudanças muito difíceis. E não tem Metallica que resolva.

Não consegui em nenhum momento parar e refletir de fato sobre o que fazer. As músicas falaram mais alto do que meus pensamentos, o que, na prática quer me passar duas mensagens muito óbvias: a primeira é que covardia é foda e a segunda é que eu litealmente ouço vozes na minha cabeça. E elas são um bocado estranhas.

Foram três canções que grudaram em mim nos últimos tempos me impedindo de concentrar no que eu estava pensando/ fazendoescrevendo: Warwick Avenue, da Duffy; The best of you, dos Foo Fighters e Unforgiven III, do Metallica. O que elas têm em comum? Absolutamente nada, aparentemente, mas olhando bem de perto elas podem ser conectadas pelos trechos emo que contêm. Vide o “how can I be lost if I got nowhere to go?” do Hetfield e o “My heart is giving me life or death but I can’t choose” do Grohl.

Não sei porque essas músicas surgem na minha cabeça. Mensagens do universo? de Deus? Do inconsciente? Do demo? Só espero que a noite me traga um set list melhor. E eu agradeceria se ele começasse com algo animado como The ting tings.

novembro 12, 2008 at 3:22 am 1 comentário

Top 5: coisas que me irritam

1- Fazer alguma coisa que atrapalhe minha vida por motivo pouco nobre. Exemplo: ficar no meio do corredor “desfilando” para fazer hora para entrar para a sala de aula quando eu estou com pressa querendo passar porque estou atrasada; conversar com sua colega de trabalho enquanto eu espero para ser atendida.

2-Deixar de fazer alguma coisa e atrapalhar minha vida por motivo pouco nobre. Exemplo: não baixar as fotos para a matéria do site que precisa entrar no ar naquele minuto porque está lanchando ou não ir no ensaio extra que eu marquei (portanto, perdi meu tempo de ir lá ministrar o tal ensaio) porque estava dormindo.

3-Incoerência

4-Falar da ex

5-Falta de educação. Destaque para gente que entra no ônibus/elevador antes de o pessoal descer pela mesma porta.

outubro 27, 2008 at 12:06 am 2 comentários

O dia em que quase matei um publicitário

Estava eu feliz (?) no meu trabalho quando começaram a cantar Feliz Aniversário, do Kiloucura. Não fiquei assustada com a escolha da música, dado que aquilo veio do núcleo da publicidade, o que me deixou apavorada foi que esse clássico da MPB puxou um coro de gente composto, obviamente, por mais membros do tal núcleo que entoou, alto e em bom som, a música até o final.

Já na primeira estrofe, o amigo e estagiário da assessoria de comunicação me olhou com arzinho de expectativa. Ele me conhece e ficou esperando que eu, no mínimo, desse uma tijolada na cabeça do sujeito que teve a idéia brilhante de cantar Feliz Aniversário no dia de fechamento do jornal, enquanto eu redigia uma matéria sobre os novos conceitos e modelos de cognição que tentava apreender de um artigo em inglês.

Para decepção dos presentes, eu não agredi o publicitário, mas se o fizesse, teria um bom motivo. “Cadê seu senso de humor?”, questionariam os alegres. Perdido em algum lugar que certamente não era redação em dia de fechamento.

O problema, ressalto, não é exatamente alguém desenterrar uma música ruim de uma banda morta, a questão é que a música gruda na cabeça e fica DIAS! Antes que me acusem de ser pagodeira enrustida, explico. Segundo minha professora de webwriting, Joana Ziller, trata-se de um processo de semiose. Se bem entendi, o cérebro fica “satisfeito” de prever a próxima parte da música. É uma sensação de satisfação física pela decodificação. Definitivamente meu cérebro precisa de novos desafios!

outubro 19, 2008 at 8:48 pm Deixe um comentário

Só o jornalista que não tem

A Ciranda da Bailarina é fofa, especialmente na voz da Adriana Calcanhoto. A ciranda do jornalista é uma realidade chata e desanimadora, na voz de quem quer que seja. Todo mundo tem horário de trabalho só o jornalista que não tem. Nem horário de almoço, nem mercado de trabalho nem salário razoável ele não tem.

O que ele tem é o excelentíssimo senhor presidente do STF Gilmar Mendes (que nem é tãaao excelente assim) pegando no nosso pé e falando que jornalista não precisa de diploma. E suspendeu a obrigatoriedade mesmo. Tem também gente achando que bloqueiro tem que desbancar jornalista, como se todo blogueiro quisesse ser jornalista e como se jornalista precisasse de ainda mais problemas na vida profissional. Blogueiro pode escrever (cá estou eu escrevendo) sobre o que ele quiser, mas não o chame de substituto de jornalista, chame-o de outra coisa. Afinal, os blogueiros que não são jornalistas têm outra profissão e normalmente vivem dela, não de blogs.

É claro que a audiência pode participar. Que mande sugestão de pauta, mande “cartas” para o veículo, mande histórias pessoais para ser publicadas (depois que forem editadas por um jornalista), mande perguntas para serem publicadas e respondidas, mande artigos se vc for especialista em alguma coisa, mande fotos bacanas, mas, por favor, não redija reportagens. Dá muito trabalho para gente checar e rechecar as informações e isso desgasta. Não é à toa que vira e mexe jornalista leva barrigada. E ninguém pode reclamar!

A gente tem que checar informação de fontes desconhecidas, tem que apurar, redigir, muitas vezes, tem que pautar e tem que publicar informações novas nos sites de 15 em 15 min por causa da velocidade da informação. Ganhamos muito mal para isso, aliás, e a equipe é pequena sempre. Uma hora, alguma coisa sai errada mesmo e o público cai de pau.

Se o supracitado excelentíssimo ministro tivesse feito a gentileza de suspender a obrigatoriedade de alguma outra profissão, eu migrava para ela fácil. Juro!

outubro 8, 2008 at 1:49 pm Deixe um comentário

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