Archive for abril, 2009
Pó mágico
Subestimar minha inteligênncia é algo que espero de muita gente, mas de um saquinho de suco, não. E o fabricante do tal pacotinho vai longe. Uma embalagenzinha que contém 5g de pó e diz fazer dois litros. Para, né?
Aquilo é corante, açúcar e, fiquemos felizes se tiver algum gosto que não seja “doce”, simplesmente. E tem mais: tem vitaminas B2, B6 e não sei mais o quê! Vitamina, gente! Tinha que ser o melhor produto do mundo. É levar muito ao pé da letra que os menores frascos têm os melhores produtos. E o povo compra…
Eu não disse isso, não!
Toda vez que eu converso com alguém que diz já ter concedido uma entrevista a algum veículo de comunicação, ouço uma reclamação. Sempre a mesma: o jornalista (aquele ser malévolo) colocou coisas na boca desse alguém. Jornalistas são, por definição, pessoas boas dessas que editam as bobeiras que as pessoas falam num ato de humanidade – enquanto a palavra ainda conserva um bom sentido.
Porque o povo fala cada coisa…e a gente conserta, edita, troca, melhora e depois o povo vem falar que não falou. Olha, meu filho, não falou mesmo, mas antes tivesse falado, hein? Se você disser que “a solução para esse dragão que é a crise financeira tem que ser um furacão de boas ideias que tem que partir do governo”, nós, possivelmente iremos editar, se não for para a rádio (nesse caso, a gente corta mesmo), para “é fundamental que o governo apresente boas ideias nesse momentou de crise”.
A gente corta o “dragão” e esse tanto de “que” porque, se você foi entrevistado, deve ter um motivo para isso. Normalmente, a razão é muito simples: você representa uma instituição que tem um futuro a zelar então a gente, bondosamente, corta o que você não deveria ter dito. Processos jornalísticos são uma arte! (e precisa de diploma, tá?)