Archive for fevereiro, 2009
Emo for a day
A existência é tão dolorosa, às vezes, que passa para o plano físico, para o corpo e me causa dores no joelho, na cabeça e, principalmente, no peito. Chama angústia. E a leitura corporal que o diga.
É difícil dizer de onde sai tanto comentário desnecessário, grosseria gratuita e umas espetadinhas que você nunca sabe bem por que vêm, mas elas vêm e as pessoas não tem noção do estrago que elas causam. Não têm a menor noção.
Você já parou para pensar que falar com sua colega de trabalho que ela “deu uma engordadinha” na semana em que ela se olhou no espelho e se achou horrivelmente gorda ou no dia que descobriu que está com uma gravidez que quer esconder pode destruir o dia dela? Que falar com seu ex que quer se libertar dele pode soar como se ele fosse um monstro aprisionador de quem você quer a qualquer custo se livrar, mesmo que ele não tenha feito nada contra você? Que entrar empurrando todo mundo no metrô e esbarrar com força numa pessoa que tem um tumor naquela parte do corpo pode ser muito doloroso? Que caçoar de alguém que tem sérios problemas de autoestima pode ser a gota d’água para a pessoa se sentir um lixo e achar que ela não serve para estar ali?
Ninguém pensa em nada, né? As pessoas pensam em se colocar no mundo e isso inclui falar o que pensam para ter personalidade, em se posicionar. Vai lá então, fodão! Acontece que coincidências acontecem e seu comentário pode ser muito, mas muito mais infeliz do que parece.
A última da Ivete
Eu nem sei do que se trata a propaganda porque eu não aguento olhar para a Ivete Sangalo por muito tempo por motivos que já expliquei aqui antes e, coitada, nem são exatamente culpa dela. Fato é que eu já vi o tal anúncio algumas vezes na tevê e eu fiquei passada.
Começa com a cantora descendo um morro, com microvestido vermelho decotado cantarolando sobre espalhar um certo “vírus da alegria”. Aham! Uma baiana, em época de Carnaval, com uma musiquinha de axé falando sobre o VÍRUS da alegria.
Desculpe, a única coisa que me vem na cabeça é aquele velho conhecido, o vírus da Aids. É a mesma coisa? Se eu fiquei na dúvida, acredito que vários outros cidadãos irão ficar também. Vai que todo mundo resolve que é legal disseminar “alegria” por aí? Nossa, o Bono ia ficar p***! A Gisele Bunchen, que estrelou a última campanha do projeto do moço, RED, também.
Numa boa, o que os publicitários têm na cabeça?
Amargura genética
Meu pai é a pessoa mais mal-humorada do planeta. Minha mãe é a pessoa mais estressante do mundo. O que poderia surgir disso aí? Eu. E isso é complicado.
Difícil pensar numa herança genética pior. E quanto mais eu fico chateada com a vida e com tudo que eles fazem comigo mais eu fico desesperada porque não quero parecer nem de longe no escuro com meu pai ou minha mãe. Meu Deos! Povo complicado.