Trânsito no Rio de Janeiro
Pois é, agora eu moro no Rio de Janeiro. Cidade maravilhosa? Talvez. Mas, alô cariocas, dá para vocês serem menos estúpidos no trânsito? Paulistanos não são chuchuzinhos, mas em São Paulo ainda dá para andar na rua sem medo de perder uma parte do corpo a cada travessia.
Essa conversa de que o trânsito de São Paulo é um caos é verdade, mas a educação no trânsito do Rio de Janeiro deixa a situação aqui muito pior. Sorry, boys. Dirigir não é só acelerar o carro. Existem pedestres, sinalização, plaquinhas. Já olharam para o lado? A dica é: tentem!
O mundo é um lugar melhor quando a gente vê que as pessoas não têm a menor obrigação de correr loucamente porque você decidiu que o sinal tava demorando muito e você quer mais é acelerar. Dica dada.
Pre-gui-ça
Nunca, na História desse país, as pessoas me deram tanta preguiça. E não é uma preguiça esnobe ou uma simples má vontade: é um tédio lá do útero, uma relutância imensa em fazer as coisas porque “coisas” dependem de pessoas e pessoas, bem, são…pessoas, né?
Os meninos têm o dom especial de embrulhar meu estômago. Ele vira cambalhota umas três vezes a cada aparição sensacional de algum ser sensacional do sexo masculino. Vocês se acham tão espertos, né? Gente, pelamordedeus, cresce! Sério. Não dá mais não. Não dá para conviver com certos comentários, atitudes machistas (mal) disfarçadas, desculpas esfarrapadas, joguinhos bre-gas de sedução, excesso de folga, cobranças que vocês tiram sabe-se Deus de onde.
E tudo vira jogo, tudo vira drama, tudo vira motivo, tudo vira um nó desses que sugam energia e desgastam as pessoas em nome de nada. É pela adrenalina? É para ter sobre o que conversar com os amigos? É para rir da própria idiotice quando coloca a cabeça no travesseiro, bêbado, pensando que a vida é assim mesmo?
Se a vida for assim mesmo, tudo bem, desde que isso não seja problema meu. E eu me recuso a participar dessa inhaca. Beijosnãomeliga
Apenas um registro de ódio
Essa semana foi complicada. Tive surtos de raiva com a MP 458 (fui daquelas pessoas que ligou no gabinete do sr presidente e pediu para falar com ele e vetar algumas partes), com o Wal-Mart vindo a público falar que AGORA eles vão pedir certificado da procedência da carne deles com auditoria independente, depois da denúncia do Greenpeace e do Ministério Público colocar uma arma na cabeça deles, claro. Estão até promovendo evento falando da cadeia produtiva do futuro! Não é muito bilu bilu teteia?
Tive muita raiva dessa história de jornalista sem diploma também. Não pelo ato em si, mas porque o Gilmar Mendes é um imbecil. Sem entrar no mérito de ser ruim, bom ou indiferente aos jornalistas, ele fez pelos motivos errados. E deixo registrado: turma, o salário vai cair ainda mais.
Não vou argumentar nem escrever além disso para me poupar de repensar e reviver tudo de novo. Foi desgastante. Fica aqui meu registro de uma semana superestressante com uma pitada de hipocrisia da galera mais próxima que também não me deixou muito feliz. Lanço oficialmente a campanha “gente, facilita”.
O povo reclama demais
É inacreditável, mas vou tocar em um dos assuntos que mais me irrita: aquela bobagem da discussão sobre o posicionamento da Igreja frente ao uso de preservativos. O assunto é mais surrado do que mulher de malandro e o povo sem assunto e a mídia insistem (Oh Céus!) em falar nisso todo dia. Já que virou esculhambação, eu também vou falar.
O que as pessoas mais fazem é reclamar que o Papa é contra a camisinha, que é um absurdo, que a Igreja Católica está ajudando a disseminar um problema de saúde mundial muito sério. Eu não vou nem entrar no mérito de que se o mundo tá infestado de problemas de saúde, de comportamentos de risco, de gente mal informada e sem responsabilidade isso é um problema de muuuuuuita gente e não só da Igreja. Óbvio.
O Papa (eu nem vou com a cara dele) pode até não contribuir muito, mas, gente, ele é o Papa. Vocês queriam que, em suas atribuições e no papel de defender a instituição da Igreja com todo o peso, histórico e dogmas que ela prega há milênios ele se comportasse como? Sério. Poderia ser de outra forma?
Ai o povo sai com aquela de que “as tradições deviam se modernizar, acompanhar os novos tempos”. Ok, então. Peguemos nosso compatriota tupiniquim como exemplo: o índio. Isso sim é representar tradições, hein? E evoluir com o tempo. Hoje, ele usa celular, computador, calça jeans…e o que o povo faz? Reclama!
“Os índios de hoje não são mais índios de verdade, até mexem em computador”. Então, deixa ver se entendi: se mantém, tá ruim; se muda, tá ruim. O povo gosta mesmo é de polemizar umas coisas que definitivamente não pedem tanto espaço. Acho que tá na hora de investir energia no que faz sentido e parar com esse blablabla. Senão, os críticos da contemporaneidade estarão condenados a não fazer nada além de jogar a culpa nos outros, principalmente nos jornalistas e na Igreja.
Pó mágico
Subestimar minha inteligênncia é algo que espero de muita gente, mas de um saquinho de suco, não. E o fabricante do tal pacotinho vai longe. Uma embalagenzinha que contém 5g de pó e diz fazer dois litros. Para, né?
Aquilo é corante, açúcar e, fiquemos felizes se tiver algum gosto que não seja “doce”, simplesmente. E tem mais: tem vitaminas B2, B6 e não sei mais o quê! Vitamina, gente! Tinha que ser o melhor produto do mundo. É levar muito ao pé da letra que os menores frascos têm os melhores produtos. E o povo compra…
Eu não disse isso, não!
Toda vez que eu converso com alguém que diz já ter concedido uma entrevista a algum veículo de comunicação, ouço uma reclamação. Sempre a mesma: o jornalista (aquele ser malévolo) colocou coisas na boca desse alguém. Jornalistas são, por definição, pessoas boas dessas que editam as bobeiras que as pessoas falam num ato de humanidade – enquanto a palavra ainda conserva um bom sentido.
Porque o povo fala cada coisa…e a gente conserta, edita, troca, melhora e depois o povo vem falar que não falou. Olha, meu filho, não falou mesmo, mas antes tivesse falado, hein? Se você disser que “a solução para esse dragão que é a crise financeira tem que ser um furacão de boas ideias que tem que partir do governo”, nós, possivelmente iremos editar, se não for para a rádio (nesse caso, a gente corta mesmo), para “é fundamental que o governo apresente boas ideias nesse momentou de crise”.
A gente corta o “dragão” e esse tanto de “que” porque, se você foi entrevistado, deve ter um motivo para isso. Normalmente, a razão é muito simples: você representa uma instituição que tem um futuro a zelar então a gente, bondosamente, corta o que você não deveria ter dito. Processos jornalísticos são uma arte! (e precisa de diploma, tá?)
A bobagem do aquecimento global
Não foi exatamente porque eu quis, há muito tempo aprendi que não se discute certos assuntos: religião, política, futebol, vegetarianismo e sustentabilidade. Mas, como nem todo mundo tem tamanho bom senso, muita gente vem com esses papos para cima de mim, naquele estilo conversa de boteco.Assim, não por iniciativa minha, nas últimas duas semanas, conversei com algumas pessoas sobre as burrices cometidas contra o meio ambiente.
Ok, se a situação dos índios não te toca, se a Amazônia fica lá longe e se você não vê que diferença faz usar pilha falsificada com HORRORES de mercúrio lá dentro (é tóxico, viu?) ou uma original que ofereça descarte correto no meio ambiente.Mas, vem cá, você está sentindo calor?São Paulo, que me disseram ser frio, está infernal, praticamente virou Salvador. Sério. Um calor absurdo! E, como reflexo, lá vem a galera com lata de cerveja na mão rua afora. Qualquer dia vai ter micareta no meio da rua. E do jeito que a coisa vai, acho que a Praça Benedito Calixto vai estrear a modalidade qualquer sábado desses. Já falei que não discuto sustentabilidade então não vou render aqui, mas na próxima vez que você que usar roupinha social nesse sol “pingante”, lembre-se de que evitar a piora do aquecimento global não é questão de salvar bicho em extinção, mas de te poupar de mais um estresse. Ou você gosta de chegar no trabalho suado?
Eeeee que a barangada sempre avança, progresso que é bom nada.
Emo for a day
A existência é tão dolorosa, às vezes, que passa para o plano físico, para o corpo e me causa dores no joelho, na cabeça e, principalmente, no peito. Chama angústia. E a leitura corporal que o diga.
É difícil dizer de onde sai tanto comentário desnecessário, grosseria gratuita e umas espetadinhas que você nunca sabe bem por que vêm, mas elas vêm e as pessoas não tem noção do estrago que elas causam. Não têm a menor noção.
Você já parou para pensar que falar com sua colega de trabalho que ela “deu uma engordadinha” na semana em que ela se olhou no espelho e se achou horrivelmente gorda ou no dia que descobriu que está com uma gravidez que quer esconder pode destruir o dia dela? Que falar com seu ex que quer se libertar dele pode soar como se ele fosse um monstro aprisionador de quem você quer a qualquer custo se livrar, mesmo que ele não tenha feito nada contra você? Que entrar empurrando todo mundo no metrô e esbarrar com força numa pessoa que tem um tumor naquela parte do corpo pode ser muito doloroso? Que caçoar de alguém que tem sérios problemas de autoestima pode ser a gota d’água para a pessoa se sentir um lixo e achar que ela não serve para estar ali?
Ninguém pensa em nada, né? As pessoas pensam em se colocar no mundo e isso inclui falar o que pensam para ter personalidade, em se posicionar. Vai lá então, fodão! Acontece que coincidências acontecem e seu comentário pode ser muito, mas muito mais infeliz do que parece.
A última da Ivete
Eu nem sei do que se trata a propaganda porque eu não aguento olhar para a Ivete Sangalo por muito tempo por motivos que já expliquei aqui antes e, coitada, nem são exatamente culpa dela. Fato é que eu já vi o tal anúncio algumas vezes na tevê e eu fiquei passada.
Começa com a cantora descendo um morro, com microvestido vermelho decotado cantarolando sobre espalhar um certo “vírus da alegria”. Aham! Uma baiana, em época de Carnaval, com uma musiquinha de axé falando sobre o VÍRUS da alegria.
Desculpe, a única coisa que me vem na cabeça é aquele velho conhecido, o vírus da Aids. É a mesma coisa? Se eu fiquei na dúvida, acredito que vários outros cidadãos irão ficar também. Vai que todo mundo resolve que é legal disseminar “alegria” por aí? Nossa, o Bono ia ficar p***! A Gisele Bunchen, que estrelou a última campanha do projeto do moço, RED, também.
Numa boa, o que os publicitários têm na cabeça?